• José Leonídio

VOO SOBRE O HORIZONTE

Às vezes me perco no tempo e gosto de ouvir músicas que me remetem a um passado de lembranças gratificantes. Hoje, enquanto escutava VOO SOBRE O HORIZONTE, música instrumental de Azimuth, me permiti viajar nos seus acordes.

Ao fechar os olhos, pairava no ar, observando o horizonte que se dobrava sob o peso do oceano. Do outro lado, as ondas organizadamente ribombavam sob a branca areia da praia, uma após outra. Biguás faziam desenhos, com suas lideranças se alternado a cada momento. A brisa suave tocava de leve meu rosto.


Ao abrir os olhos, percebi o quanto aquelas ondas musicais me faziam viajar nos pensamentos e comecei a fazer correlações entre o que imaginara e o que somos. A natureza nos ensina que tudo na vida tem um equilíbrio, um ordenamento.


Assim como uma onda não atropela a que está na sua frente, na boa convivência devíamos aprender este princípio: respeitar o direito de quem o tem, por mais que estejamos apressados em resolver nossas problemáticas, sejam de que origem for. Devemos ter a consciência de que o que nos aflige e sobre o que esperamos uma resposta imediata é um pequeno grão de areia, comparado aos que estão adiante de nós.


Às vezes nosso egoísmo nos leva a tomar atitudes sem que saibamos que prejudicarão a muitos, mas isso não importa, não está no nosso julgamento, temos que ser os primeiros.


Quantas vezes alguém nos pede para que façamos imediatamente algo que não estava na nossa programação e que, para fazê-lo, teremos que abrir mão dos nossos compromissos, somente por uma questão de não desagradar ao pedido de um amigo? Neste momento estaremos dizendo SIM para fora, e NÃO para dentro de nós.


Negamos a nós mesmos o direito de seguir o curso que traçamos em prol de não desagradar a alguém, que, egoistamente, não percebe que temos também nossos objetivos e nosso tempo para realizá-los. Uma tarefa programada e não realizada nos deixa um sentimento de frustação e, no seu devido tempo, seremos cobrados por isso.


Não existem caminhos que não tenham uma direção, um sentido. Cada um tem sua orientação e sabemos exatamente porque estamos trilhando. Ninguém é dono de todas as verdades, assim como nem todos os caminhos nos levam ao que procuramos, ao sentido do porque o estamos trilhando.

Um orientador nos ensina uma fração do destino; um outro, um pouco mais. Assim vamos caminhando, construindo a cada momento o mosaico que é o verdadeiro norteador de nossas ações. Ninguém, absolutamente ninguém, é igual ao seu semelhante, porque a imagem que você está vendo neste momento vem acompanhada de um som, de um odor, de um sabor e de uma sensação tátil. Mesmo que sejamos gêmeos idênticos, nosso mosaico de vida será diferente; as sensações e reações a cada minuto são únicas e indivisíveis.


UM VOO SOBRE NOSSO HORIZONTE nos permite enxergar cada pedacinho que foi importante no que somos e no que seremos. Fiquem com a brisa suave a lhes

tocar o rosto e olhem para frente porque o horizonte nunca estará atrás de nós. Ele sempre se põe ao alcance dos nossos olhos.

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