• José Leonídio

PEDRA NO LAGO

Em meus passeios nos finais de semana, quando criança, na Quinta da Boa Vista, uma das minhas melhores distrações era a de jogar pedras no meio do lago e ver as ondas que se formavam deslocarem-se até chegar à beira. Ali ficava parado observando, pois movimentar a água em círculos cada vez maiores era fascinante para mim.


Dessas passagens nunca mais me esqueci, volta e meia me relembro e me vejo sentado à beira do lago arremessando pedras. São imagens que ficam na memória e delas nunca nos separamos. Com o passar do tempo vamos percebendo que aquelas experiências, que naquele instante não passavam de distração, deixam marcas e fazem refletir sobre o que na verdade representaram, e ainda representam, no modus vivendi.


As ondas que formamos nas águas calmas dos lagos ao jogarmos uma pedra têm o mesmo efeito com nossas ações e palavras. A terceira Lei de Newton nos mostra que “à toda ação corresponde uma reação de igual intensidade, porém que atua em sentido oposto”.


Assim é o nosso dia a dia, criamos diversas situações e, como se fossem as ondas do lago, sua energia vai se dissipando até chegar à beira do nosso lago, o nosso objetivo. A diferença está que nem sempre terá o fim que desejamos. Porque apesar de sermos regidos por leis químicas e físicas, existe uma outra resposta, e esta não tem regras a lhe direcionar, é o nosso imponderável.


Traçamos planos, escolhemos as melhores trilhas, as de menor risco, e quando damos conta eis que surge a nossa frente um fator que não consta em nenhum dos manuais de sobrevivência; temos que utilizar de toda nossa experiência vivida, dos nossos acertos, mas, principalmente, a dos nossos erros para encontrarmos a solução ao que não estava previsto.


Nossos olhares, em muitas situações, dizem muito mais o que se passa dentro de nós do que nossos gestos e palavras. A segurança deles está diretamente ligada à previsibilidade do que planejamos. Ninguém entra no deserto sem suas provisões, principalmente, água.


Nós somos assim, por mais que digamos que deixaremos que o acaso resolva o que vem pela frente, o acaso é o que você quer que os que estão à sua volta acreditem. A pedra no lago, que criou ondas seguidas na sua memória, é que se encarregará de dar sequência às atitudes que desenvolveremos.


Somos capazes de realizar o que programamos, no entanto, muitas vezes o imponderável é quem assume o comando e nos livra de situações que nos poria em risco. Anjo da Guarda forte, atento? Um guardião que te segue 24 horas por dia?


Voltamos às ondas causadas pelas pedras lançadas nos lagos, ou pelos tsunamis oriundos dos tremores de terra. Nossa capacidade de visualização é extremamente restrita, nosso olhar tem limitações impostas por nossa própria característica anatômica, ou seja, olhar em frente para superar os obstáculos e nos livrarmos dos predadores.


Nosso cérebro, pelo contrário, é capaz de armazenar informações do que pode nos colocar em risco e emitir ordens, em milésimos de segundo, que nos livram dos perigos. Um exemplo: estamos na beira da calçada, um carro passa perto do meio fio e movimentamos o corpo para trás. Seria impossível percebermos o risco, mas nosso Anjo da Guarda, atento, enxergou, e acionou o alarme e livrou de risco maior.


O Anjo da Guarda está dentro de nós e é alimentado pelas ondas formadas pelas pedras que jogamos nos lagos que aparecem na nossa passagem pela vida. O previsível nós resolvemos, o imponderável, nosso cérebro, verdadeiro Anjo da Guarda, usará de todos os recursos para ajudar. Existem muito mais respostas dentro de nós do que imaginamos.






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