• José Leonídio

PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Valho-me do poeta grego Eurípides, que viveu no século V a.C, quando abordou a problemática comum à sociedade da época e que estava sem controle, sem valores, alterando suas tradições. Tudo isso repercutia diretamente na forma de pensar e agir dos homens gregos. Um dos pensamentos, que continua atual, é o que afirma:

“- Aquele que negligencia o aprendizado, perde o passado e morre para o futuro.”

Trazendo para o presente o pensamento de Eurípides, podemos perceber que se tivéssemos adotado o que Darcy Ribeiro preconizava na década de 1980, com a criação do ensino em tempo integral, teríamos hoje pelo menos quatro gerações crescidas sob a égide do pensamento de que:

“- Da nova proposta posta em prática sairiam homens e mulheres que iriam fazer, pelo brasileiro e pelo Brasil, tudo aquilo que nós não conseguimos ou não tivemos a coragem de fazer”.

Nestes tempos difíceis onde a consciência social, cívica e de respeito aos valores individuais e coletivos estão totalmente negligenciadas, nos remetemos ao pensamento loco citado de um dos maiores poeta da tragédia grega clássica.

Quatro gerações foram descuradas. Se tivéssems adotado o ensino em tempo integral, teríamos mudado o perfil de toda uma população. Valores não cívicos à época impediram sua implementação.

Hoje, voltamos ao que relatava o poeta grego no século V a.C: temos uma total desestruturação na formação cívica da população brasileira, prevalecendo o “eu posso”, o “eu quero” e o “nada me deterá”. Onde levar vantagem em tudo está acima em todas as camadas.

A democracia Tupinambá, da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que segundo Michael de Montaigne, em os Canibais, seria muito superior à democracia Platônica, porém, foi aniquilada. Todos os ensinamentos da população nativa foram simplesmente sepultados pelos ditames de uma educação na qual o ontem e o amanhã ficaram na estrada do tempo.

Hoje, para conseguirmos voltar a ter uma consciência cívica, um respeito aos valores individuais e coletivos, necessitaremos de voltar às nossas raízes.

Somos seres sociais, porém, este parece ser um termo que na atualidade vem carregado de ranço que o transforma em algo pecaminoso. Se o Estado não entender que nossos filhos são mais filhos do Estado do que são nossos próprios filhos, que sua responsabilidade no crescimento da nação está na razão direta deste reconhecimento, aprofundaremos o abismo em que nos encontramos.

Termino com duas citações de Eurípides:

“Há uma espécie de pobreza espiritual na riqueza que a torna semelhante a mais negra miséria.”

“O tempo não se ocupa em realizar as nossas esperanças: faz o seu trabalho e voa.”


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