• José Leonídio

Ouro para os PAIS

Em tempo de Olimpíadas, todos torcemos por nossos competidores. As famílias se reúnem torcendo e há um sentimento de jubilo, do dever de pais cumprido. Os atletas por sua vez mostram toda a gratidão aos pais, sem exceção.


Lágrimas de emoção mostram o que acontece dentro de cada um. Mesmo estando à distância, os corações vibram na mesma frequência, afinal este sentimento foi construído ainda quando seus filhos estavam albergados dentro da primeira morada.


Há alguns anos um pai sentado na área de espera da Maternidade Escola chorava copiosamente enquanto lia o que estava escrito numa folha de papel.


Sem que percebesse me aproximei para porque estava tão comovido. Escrito a mão, lia fervorosamente uma oração para Nossa Senhora do Parto, pedindo proteção para sua esposa e o filho que estava por nascer.


Algum tempo depois vieram avisar que a criança tinha nascido e que passava bem, junto à mãe. Naquele instante quedou-se ao chão soluçando. De joelhos, com a voz embargada, rezou uma Ave- Maria, agradecendo a Mãe Divina pela graça que concedera a razão de sua vida: esposa e filho.


Todos nós que assistíamos a cena ficamos sensibilizados com sua manifestação de amor e fé, uma demonstração do mais puro sentimento de paternidade. A emoção, a energia que transbordava era tão grande que todos que estavam próximos, mesmo sem conhecê-lo, vieram lhe abraçar e parabenizá-lo.


Algum tempo se passou, e numa certa manhã entrei no banheiro público da área de espera da Maternidade Escola. Uma surpresa me aguardava, as paredes estavam repletas de frases, porém não eram frases impublicáveis, pelo contrário. Eram frases de agradecimento, de alegria pelo nascimento de seus filhos.


Eu nunca imaginei encontrar tamanha riqueza de sentimentos escrita nas paredes e portas de um banheiro público. Eram mais de vinte frases, lembro-me bem que numa delas o pai fez questão de desenhar um skate com seu filho em cima. Emoções talvez não expressadas, como a do pai que rezava por sua esposa e filho, porém, grafadas nas paredes como se o tempo guardasse o que sentia naquele momento para sempre.


Ser pai é não ter a vergonha de chorar pela chegada de um filho, de se emocionar, de dividir com sua esposa/companheira os cuidados que necessita. É vê-los crescer, não a sua imagem e semelhança, mas construindo sua própria história. Nós somos somente o agente condutor, o tutor para que alcancem suas identidades, suas glórias e vitórias.


Ser pai é sofrer nos dias de enfermidade, é virar criança também nas suas diversões. É acompanhar sua evolução, estar presente mesmo estando ao longe.


É amá-los incondicionalmente, dar-lhes o conselho e a reprimenda nas horas em que se fizer necessário. Ser pai é assumir uma paternidade de quem precisa de uma.


A frase mais comum que ouvimos dos nossos locutores de rádio e televisão, e mesmo nas redes sociais, é que fulano, beltrano ou ciclano ganharam o ouro para o PAÍS. Não, eles não ganharam medalhas para o PAÍS, e sim para os PAIS, porque foram estes quem construíram aquele atleta, acompanhando-o desde suas primeiras incursões naquele esporte até a conquista da medalha Olímpica.


Quando PAIS e PAÍS se juntarem teremos muito mais medalhistas porque nesse momento a grande vitória é dos PAIS, que abrem mão de tudo para colocarem seus filhos como o elemento mais importante de suas vidas. Amar é doar, sofrer, chorar, sorrir. O amor de um pai transcende todos os limites do racional: o impossível, para nós, não existe.


Em tempos de olimpíadas neste DIA DOS PAIS, a medalha de ouro não é para o PAÍS, e sim para os que mais merecem, OS PAIS.



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