• José Leonídio

O HORIZONTE E O PORVIR

Cada passo que damos no nosso dia a dia são os segundos que avançamos na vida. Eles viram minuto, horas, dias, meses e anos. Por mais que refaçamos o mesmo trajeto, nossos passos não serão os mesmos, nossos pensamentos e ideais também não. A natureza a nossa volta se modifica, a flor de ontem é a semente de hoje, e a nova planta de amanhã.


Quando fitamos o horizonte, de alguma forma, estamos nos dirigindo ao porvir. Apesar de estarmos vivendo o presente, miramos um ponto distante, e ficamos imaginando de que forma o alcançaremos. É desta forma que avançamos no dia a dia, traçamos objetivos de curto, médio e longo prazos, mas nunca serão iguais ao de ontem.


No palco da vida mudam os cenários, os atores e os enredos. Em determinados momentos as concepções podem até serem semelhantes, mas as interpretações por serem individuais, tomam a forma de quem as representa. Um gesto, um olhar, a entonação dada a uma palavra ou a uma frase fará toda a diferença entre momentos díspares.


Podemos dizer que os sonhos cabem no horizonte porque o horizonte é o porvir, é o futuro que nos espera. Nem sempre terá as cores com que o pintamos, nem será tão doce como imaginávamos, mas virá. A realização de um sonho/ideal está diretamente ligado à nossa perseverança, de acreditarmos sempre que será possível.


Não se constrói um edifício com dezenas de andares, se não for minuciosamente calculado o seu alicerce, porque será ele que verdadeiramente o sustentará. A magnitude dos maiores projetos de arquitetura, tem como suporte o alicerce que não vemos, que estão enterrados a metros de profundidade. No entanto, entoamos loas de louvor, ao belo que se nos apresenta.


Em minhas andanças pela Amazônia, me encantou a beleza de um pássaro chamado japim, cujo canto imitava o de outros pássaros e a forma como protegia seu ninho. Um caboclo nativo da região me levou até uma grande árvore na qual o ninho estava pendurado por uma alça na parte final de um galho. Logo atrás, um ninho de cabas, uma espécie de marimbondo feroz da região.


No dizer do guia, a posição do ninho era a forma como se protegiam dos predadores. Os ferozes marimbondos serviam como barreira dando segurança aos mesmos. O que mais me impressionou foi saber que quando da cheia dos rios que a água cobriria grande parte das árvores, os japins construíam seus ninhos nos galhos mais altos.


Desta maneira, mantinham-se a salvo, ou seja, conseguiam prever o que lhes aguardava num horizonte distante. Nunca mais esqueci esse relato, porque o pássaro assim o fazia não por instinto e, sim, provavelmente, pelos sinais que a natureza lhes dava. Desta forma abandonava a proteção das cabas, porque naquele momento a segurança da sua fêmea e de sua ninhada era o que mais importava.


Apesar de contemplarmos o horizonte e vermos nele o nosso porvir, e dizer que nele cabem nossos sonhos, nem sempre nos comportamos como o japim, nem como os engenheiros e arquitetos das construções. Acreditamos nos nossos sonhos, entretanto para que o mesmo se realize é necessário, que criemos as condições para sua realização.


O caminho para que o consigamos é pavimentado por nós mesmos, porque ninguém confia mais no seu sucesso do que quem o elaborou. Não criamos sonhos, metas ou objetivos para outrem, estes têm o DNA dos nossos neurônios, nos pertence. Podemos até dividi-los com outros parceiros, mas o primeiro vencedor, seremos nós.


O horizonte é o porvir, nossos sonhos cabem no horizonte, mas façamos que nem o japim que enxerga como realizar seu objetivo (procriar) e, como os construtores, que planejam nos alicerces a beleza que ficará para o futuro.


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