• José Leonídio

O DIREITO DE SER

Caía a tarde, mais um dia se ia. No Arpoador e onde mais se pode ver o sol se pôr, os olhos se põem no horizonte, especificamente no poente, esperando o show de luzes e cores que sua caminhada final deixa de presente. Olhos estupefatos contemplam-no, casais absortos em si sorvem sua energia alimentando suas paixões e aquecendo com sua energia os corpos prestes a explodir em prazer e como se estivessem fazendo parte do cenário deste grande espetáculo.


Neste momento só somos. Não importa onde, como, e quando. Contemplamos a grande estrada colorida que dará passagem ao despertar de milhares, milhões de estrelas que cintilarão nos nossos olhos, piscando como vagalumes.


Para comandá-las, o amor. Dizem os antigos Tupinambás que Sol e a Lua (Jacy e Guaracy) são dois irmãos, um comanda o dia e o outro, a noite. Que Jacy é apaixonado pela grande estrela que o acompanha, Vênus (daí, segundo alguns, a Lenda do Morro dos Dois Irmãos). Portanto, se o sol prepara o caminho para o grande amor celestial, Lua/Vênus (a nossa Estrela Dalva), por que não tirarmos proveito desta chuva de amor e não entrarmos nela?


A noite é divina, é maravilhosa, inspiração de poetas, palco sagrado dos boêmios, onde todos os amores se declaram, se consomem, se exaurem, energizando o mundo. É o yin e o yang, as duas forças fundamentais opostas e complementares que se encontram em todas as coisas: o yin é o princípio feminino, a água, a passividade, escuridão e absorção. O yang é o princípio masculino, o fogo, a luz e atividade. Somos o que somos, vivemos porque a vida assim o exige.


Nascemos à luz do sol ou na escuridão da noite, na luz da lua. Ninguém nos ensina a enxergar o belo, ele vem de dentro de nós, aprendemos a contemplar o raiar do dia e o pôr do sol a milhares de anos, e eles se renovam a cada amanhecer, no mesmo ponto, no mesmo lugar, com as mesmas cores. Somos nós que por nosso caráter andarilho o contemplamos a cada dia de um ponto diferente, parecendo que ele nos fornece um cenário para cada tarde, para cada manhã.


Temos o direito de ser o que nos apresenta no momento. Dias virão e ao contemplarmos o pôr do sol, ou a maravilha de uma lua cheia prateando o mar, os campos, as montanhas e ou as florestas serão como o complemento ao quadro que pintamos naquele dia de nossas vidas.


Em outros, lágrimas descerão porque não conseguimos fazer com que nosso dia tivesse a beleza e a energia daquele momento. Ai é que está a beleza da vida. O direito de sermos nós mesmos, com nossos altos e baixos, mas com a certeza de que sempre um novo dia nascerá, trazido na melodia do canto da Sabiá, e a certeza que tudo se renova, assim como o sol e seu irmão o lua.


É hora então de aprendermos com nossos obstáculos e encontrarmos os objetivos que nos façam ter lágrimas no pôr do sol, mas desta vez por termos ultrapassados as barreiras e ficar com os ensinamentos. Temos o direito de ser, de errar e acertar, de evoluir, de sermos felizes: à nossa maneira, do nosso jeito, na luz do sol ou da lua. Não importa. Só importa é que temos o direito de usar nossa vivência para construirmos dias melhores, para nós e que está ao nosso lado.


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