• José Leonídio

NUVENS

Alguém disse, numa determinada ocasião, que a vida é como as nuvens e a cada momento tem um desenho, um formato, que nos permite interpretá-la de acordo com nosso ângulo de visão. Quando a olhamos, nos apresenta com diversos contornos e tamanhos. O sol, ao atravessá-la colore-as, tornam-se irisadas, sobressaem o dourado ou prateado que tanto nos encantam.


Quantas atravessam belíssimos arco-íris? Ficamos procurando onde é o seu início porque nosso tesouro pode estar ali enterrado. Nuvens brancas; coloridas; irizadas; nuvens de paz e de alento que nos permitem vê-las passar na velocidade do vento que as conduzem ao infinito. Nuvens que nos fazem sonhar, quem sabe não seja um sinal do que nos espera no futuro?


Nuvens escuras, que se acendem a cada instante, que se movem lentamente lançando descargas elétricas estrondosas e que atingem o chão e muitas vezes quem está no seu trajeto. Nuvens que alcançam a profundidade do céu, que guardam no seu interior a pureza das águas, que podem se transformar em gelo e, ao caírem sobre a forma de temporal, podem se associar à rudeza das ventanias e destruir o que vem pela frente.


Rios perenes, caudalosos, são formados. Transformam-se em cachoeiras que arrastam para o oceano o fruto de sua destruição.

Tempos sombrios, de nuvens escuras, porém, logo depois, o sol se faz presente.


Novos arco-íris surgirão levando as águas para o céu, tênues nuvens brancas, algodoadas que mais parecem carneirinhos, surgirão e tudo se iluminará novamente. As nuvens não têm a poesia incontida da lua, de fazer movimentar as marés e bater mais forte nossos corações, não têm o brilho do sol, mas são únicas e nos acompanham no nosso dia a dia, nos dias claros, dias nublados, dias sombrios. Nuvens que, quando ausentes, tornam mais frias as noites.


Realmente as nuvens são como a vida, têm momentos claros, momentos nublados. Dias carregados de luz, outros em que se faz ausente. Nossos contornos da vida, nossos caminhos, mudam a cada hora, minuto ou segundo. Planejamos um objetivo, uma meta, porém nem sempre saem como queremos.


De forma diversa, existem as nuvens que seguem seu percurso, sem que nada interfira, existem inúmeras incógnitas que devem ser consideradas, pois na vida nem tudo acontece de acordo com o que está escrito.


Dizem que no papel cabem todos nossos sonhos, o difícil é tirá-los do papel e fazer com que aconteçam exatamente da forma que planejamos. Nossas nuvens podem de repente se transformar em nossos temporais.


Necessitamos do equilíbrio em nossas ações para que possamos chegar o mais perto possível dos nossos ideais.


Quando a noite chega sem nuvens, e o frio aumenta, procuramos o que, ou quem, nos aqueça. Procuramos nossas nuvens que permitirão que continuemos a sonhar com o tesouro que está na ponta do arco-íris e, na verdade, dentro de nós. Nós somos as nuvens que passam ao sabor dos anos, criamos o céu límpido, mas também criamos nossos tornados, nossos temporais, nossas nuvens escuras carregadas de raios, coriscos e trovões.


Somos o que somos e temos que aprender a viver o nosso dia a dia, interpretar as nuvens que estão dentro de nós, contar até dez em determinadas ocasiões: assim estaremos fechando todos os programas abertos em nosso cérebro e focando num só.


É assim que limpamos as nuvens do nosso céu e podemos visualizar com nitidez a nuvem que está sobre nós para, aí sim, tomar a decisão mais acertada. A nuvem que fez chover ontem, não voltará hoje, nem amanhã. A nuvem de hoje é a de hoje, e no hoje ficará a única possibilidade. A água que cai na terra germinar as sementes ali colocadas.


Que sua nuvem de hoje faça brotar a felicidade de amanhã.




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