• José Leonídio

FOLHAS DE OUTONO

Sol de outono, seus raios conseguem dourar tudo que o está ao alcance dele. Céu de outono, onde as cadentes saem para nos oferecer um espetáculo que enche nossos olhos. Outono aonde as folhas vão bailando no ar e deixando as árvores desnudas, preparando-as para o inverno que o sucederá. Outono tempo que alterna o sol, a chuva, o calor e o frio.


Outono tempo de voltar para nossas origens, para nossa casa porque o seu calor nos acolherá do inverno, dos ventos gélidos. Tempo de nos agruparmos em torno da família, somando nossos calores aos dos caldos que tomamos à noite. Somos como as folhas que cruzam as estações do ano. Neste momento, somos como as folhas de outono; nossa estação este ano chegou mais cedo, nossas folhas nem tão amarelecidas assim estão sendo arrancadas dos mais finos galhos e prostradas ao chão frio.


Ah! O sol de outono, de intenso brilho, que tanto nos aquece, este ano entra pelas frestas de nossas janelas como que a dizer:

- Ainda estou aqui, vim te visitar.


Outono uma estação de alegrias, onde as pessoas se encontram nos parques, nas caminhadas, nos bares, no teatro, no cinema, nas recepções entre amigos.


Outono das mães, das noivas, dos namorados. Outono estação onde o amor se consagra, para atravessar o inverno, e florir na primavera. As folhas de Outono formam um belo tapete para nos indicar o melhor caminho. Quando as folhas são arrancadas dos galhos frágeis, antes destas cumprirem sua função, elas simplesmente deixam para trás uma parte de seus papéis, elas morrem sem que sua beleza, leveza no bailar dos ventos, cheguem aos nossos olhos e nos façam sorrir.


Nossas folhas estão sendo arrancadas de nossas árvores, dos nossos cadernos da vida, não podemos ver as cadentes porque só veremos a primavera se anteciparmos nosso inverno e nos acolhermos junto aos nossos: é nossa única garantia, antes que os ventos que trazem o inverno nos arranquem dos nossos galhos, e nunca mais veremos o sol do outono.


Assim como as folhas, muitos de nós estão se indo, na flor de sua função, ou na angústia do que o inverno irá lhe trazer. Só nos resta, nestes tempos sombrios, acreditar no amor, não naquele amor que leva ao cio, mas no amor que nasce nas entranhas de nossas mães, e que é a forja dos elos maiores, a família. Só este amor será capaz de enfrentar os males trazidos pelos ventos álgidos vindos d’além mar. Protejam suas folhas neste outono, não é tempo de caírem de seus galhos. Elas ainda têm toda uma vida pela frente.


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