• José Leonídio

CONJUGANDO O VERBO AMAR EM TEMPO DE PANDEMIA

Amar, amor são palavras fortes, que saem de dentro de nós com uma direção, um sentido. Ainda tenho lembranças de quando, nos primeiros anos do ensino primário, a pequena professora Dona Yara chamava atenção sobre os verbos começarem a ser conjugados pelo pronome pessoal EU. O maior exemplo que sempre dava: quem pela primeira vez estabelece a conjugação do verbo tem um objetivo, o EU sempre à frente dos outros pronomes.

Ainda guardo na memória quando chamava nossa atenção conjugando o verbo amar e o primeiro amor declarado era a si mesmo, EU ME AMO. Depois é que vinham o tu e o ele. Trazendo para os dias de hoje, temos novos pronomes - o VOCÊ, originário de Vossa Mercê, e o A GENTE. O primeiro é um substitutivo de TU e o segundo de, VOCÊ e NÓS. Mas nada no passar do tempo substitui o EU. Os ensinamentos de Dona Yara continuam atuais. A primeira pessoa a quem devemos dedicar nosso amor é a nós mesmos.

Neste momento em que vivemos sob o tacão da Covid-19, é tempo de voltarmos a conjugar o verbo amar, principalmente na sua primeira pessoa, EU ME AMO, porque somente desta forma chegaremos ao VOCÊ e ao A GENTE. Quando aprendemos a nos respeitar, a enxergar os nossos limites, é que poderemos amar a outrem. Nosso direito acaba quando começa o dos outros, é uma expressão popular que acostumei a ouvir desde criança.

O respeito ao direito de viver bem é mútuo, e é cimentado dentro de nós na vivência do dia a dia, na grande escola da vida que é a família. Valores éticos, morais e de senso comum, bem como os dos direitos e deveres inerentes à cidadania, não é matéria que se aprenda em colégios, não existe prova que as avalia. A grande apreciação será feita nas suas atitudes no dia a dia.


Vivemos hoje num momento em que todos estes valores são expostos publicamente. Quando O EU ME AMO é conjugado no respeito ao seu direito e ao de outrem, não hesitamos em adotar todas as medidas necessárias para nos preservarmos, e assim também o fazer com o VOCÊ e ao A GENTE. Quando assim não procedemos colocamos em risco todos que nos envolvem.

O maior exemplo de não conjugar o O VERBO AMAR na primeira pessoa é quando desprezamos todas as medidas de preservação da integridade dos que estão à nossa volta e dos que convivem na intimidade do nosso núcleo familiar. Se for assim, todos os valores do EU ME AMO deixam de existir.

É o que estamos vendo em épocas de pandemia pela Covid-19, estão deixando de conjugar o verbo na primeira pessoa, desprezam o EU ME AMO e, por conseguinte, desrespeitam também o direito à saúde e à vida de todos que os cercam.


É tempo de volta a SE AMAR, para que possamos respeitar o VOCÊ e o A GENTE.


Os brasileiros de bem agradecem.



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