• José Leonídio

A SOBERBA


Um pequeno olho d’água, da origem a um córrego, que nasce nas montanhas, vai serpenteando colina abaixo se unindo a outros, que, aos poucos, vão se avolumando formando riachos. Vários riachos confluentes darão origem a um rio com suas águas mansas ou caudalosas; com suas praias, corredeiras, suas cascatas e cachoeiras para enfim desaguarem na sua morada definitiva, o mar.


A natureza dá exemplos de como nos conduzir na vida, de como nossa união nos leva a realizar nossas metas e nossos objetivos. Não somos seres individuais. Somos como os riachos que se juntam para formar um rio. Sozinhos até podemos conseguir realizar alguns dos nossos sonhos, porém, quando nos unimos, diminuímos nossas cargas e se tornando muito mais alcançáveis e realizáveis.


No nosso dia a dia, nos deparamos com diversas situações onde a SOBERBA predomina. O ar de superioridade com que um determinado número de pessoas tenta frequentemente impor seus conceitos sobre a maioria.


A máxima que diz “Todos somos iguais perante a Deus e a Lei” deixa de existir para este grupo porque o que prevalece é a sua visão de uma sociedade que existe em função de seus objetivos pessoais e não do coletivo.


O conceito de que “A UNIÃO FAZ A FORÇA”, quando regida pela SOBERBA, deixa de existir. Para que prevaleçam seus conceitos, ideias e ideais de superioridade, os sobranceiros, recorrem a todos os artifícios possíveis, onde a predominância de seus valores é usada ad nutum em todos os seus sentidos.


Para estes grupos, todos os argumentos são válidos para se manterem num nível acima de todos, inclusive os bíblicos, principalmente o de que estão falando em nome de um ser superior, Deus ou Jesus. Não importa, no entanto, omitem a bem da sua veridicidade, o seu verdadeiro conteúdo, como, por exemplo, aquele que encontramos em Salmos 10:2.


“Em sua arrogância, o ímpio persegue o pobre, que é apanhado em suas tramas”.

O poder e a SOBERBA, muitas vezes, caminham juntos, a dialética do “VAI POR MIM QUE ESTOU CERTO” se torna habitual para o convencimento das diferenças existentes entre os níveis sociais. Nestas ocasiões, o poder faz de tudo para se sobrepor ao saber; o capital ao conhecimento. A associação entre obter o milagre divino e a conquista por seus direitos e méritos próprios deixam de existir porque o céu tudo lhes proverá. Não importa a forma a ser utilizada, para manter sob sua influência os que seguem as suas teorias ou manter sob seu jugo toda uma sociedade.


A arte do diálogo está diametralmente oposta a SOBERBA, porque naquela edificamos nossos sonhos ou objetivos a partir de uma visão coletiva, dividindo os erros ou acertos entre todos. Por outro lado, quando estes surgem da visão de um ser que se acha superior a todos, o que foi construído não corresponde aos anseios de uma coletividade. Parafraseando aqui o presidente Jânio Quadros, ao “FI-LO PORQUE QUI-LO”.


Recorrendo novamente aos ensinamentos contidos na bíblia, encontramos a citação de Provérbios 16:18:


“O orgulho vem antes da destruição, o espírito altivo, antes da queda”.

Se formos pensar no início e no fim do ciclo da vida, veremos que existe um ponto em comum, nascemos sós e terminamos nossa estada terrena da mesma forma. Nada será capaz de mudar esta trajetória.


A tal superioridade que muitos supõem ter sobre os que estão à sua volta é ilusória, não agrega valores. Pelo contrário, afasta os que podem estar no seu entorno, afinal suas atitudes criam uma barreira difícil de ser ultrapassada.

A SOBERBA não constrói; ela tem o poder de criar um mundo falso, repleto de imagens irreais que se desfazem como as nuvens. Somente os sobranceiros creem na sua existência, mas terminarão sós, da forma como a vida nos mostra.





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