• José Leonídio

A ESTRADA DA VIDA



O sol se reflete em nossos olhares, iluminando caminhos. A estrada da vida não é reta, nem sinuosa, está repleta de planícies, montanhas e abismos; lagoas, brejos e mangues. É regida também pelas marés, ora cheia, ora vazante. A cada situação que se nos apresenta, temos que ter paciência e aprender a superar obstáculos.


Ainda não chegou o tempo que, ao nascer, provavelmente, será implantado um chip no nascituro, com todas as perguntas e respostas sobre as situações vividas por bilhões de Homo sapiens e suas resoluções. Nesse dia o comando central passará a ser do cérebro, ao qual podemos chamar também Anjo da Guarda.

Aldous Huxley em seu romance visionário O Admirável Mundo Novo, publicado em 1932, ambientado no ano de 254, em Londres, menciona que reprodução humana passa a ser consequência da tecnologia reprodutiva e suas intervenções com associação dos conhecimentos psicológicos e de condicionamento. Na sua visão futurística, alteram profundamente o comportamento do ser humano.


Não estamos nem próximo da data referenciada na obra, ainda faltam cinco séculos, porém, a manipulação genética e consequentemente as técnicas reprodutivas parecem abreviar em muito o mundo imaginário do escritor inglês Aldous Huxley. Ainda vivemos no mundo em que a Estrada da Vida é construída por nossos erros e acertos, por nossos tombos, que nos obrigam a nos erguermos e seguirmos em frente.


Cada um de nós é um ser diferenciado, bilhões de genes se agruparam para nos dar a forma que possuímos, nosso modus vivendi decorre do aprendizado acerca da vivência do dia a dia.


Quantos acertos tivemos e teremos na vida e que muitas vezes caem no esquecimento; numa situação parecida, ao invés de nos espelharmos nas experiências exitosas do passado, saímos em direção contrária, e mesmo tendo acertado no passado, somos impelidos a não aceitar o caminho que tínhamos percorrido e que nos indicava o sentido mais adequado a tomar.


Não aprendemos com nossos triunfos, mas com certeza nossos erros são nossos grandes mestres, porque não queremos cair no mesmo pela segunda vez.


Nossas grandes emoções estão ligadas às quantidades maiores ou menores de uma substância conhecida como adrenalina que atua na solidificação da memória de reconhecimento. Um exemplo claro é uma situação de extremo perigo, quando o estresse leva a liberação de grandes quantidades de adrenalina, o coração bate mais rápido, e mesmo passado muito tempo daquela situação não nos esquecemos dela: lembramos de cada minuto, de cada segundo, como se fosse um filme que é repassado toda vez que nos recordamos.


Em toda e qualquer situação que nos faça recordar daquela passagem, que se remeta a um determinado momento de nossa vida, procuraremos nos afastar dos erros cometidos, porque é desta forma que o cérebro (nosso Anjo da Guarda) nos protege.


Estamos vivendo momentos de alto estresse em consequência da pandemia do SAR COVID -19, as atitudes que somos obrigados a tomar, o isolamento social, logo nós, que somos seres sociais que se comunicam para o seu crescimento na sociedade, o medo imposto pela agressividade do vírus e suas consequências deixarão marcas, para o todo e sempre de nossas existências. Vivemos com a insegurança dos dias atuais, porém, nada é eterno, em algum momento irá arrefecer e voltaremos a conviver como se nada tivesse acontecido.


Como disse no início, a estrada da vida não é reta, nem sinuosa, nossas pegadas vão ficando ao longo de nossa existência, às vezes se apagam no marulhar das ondas sobre as areias das praias, em outras se fixam como as deixadas nas lavras dos vulcões que se petrificaram, mas na maioria, serão memórias e o tempo vai diluindo.


No processo evolutivo, perdemos a visão lateral e passamos a ter a visão frontal, de maior profundidade, e isto nos diferencia, porque nos permite ver com maior nitidez os riscos, os perigos e aprendermos com eles, afinal ainda não chegamos ao Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.


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