• José Leonídio

ECOS

Ecos ribombeiam nosso universo, nosso entorno, nosso universo interior, como se fossem gotas de chuva insistindo em bater no mesmo lugar. Ecos, sons de corações que só nós ouvimos. Ecos, o som das nossas dúvidas. Ecos, a voz que não se ouve, mas que insiste em estar presente, independentemente de nossa vontade.


Deitamos nossa cabeça nos travesseiros como se fossem capazes de neutralizar as agruras do ontem e de nos revitalizar para o amanhã, mas o som de nossos corações se faz presente, muitas vezes como trovoadas em noites de tempestade e nem sempre vêm sozinhos, mas acompanhados de raios e coriscos, frutos dos encontros das nossas nuvens de dúvidas e incertezas.


Ecos, o passado é repleto deles e dos quais não conseguimos nos livrar. São tantos e tão fortes que por vezes imaginamos que nunca nos abandonarão. O passado pode deixar ecos que ricocheteiam no hoje, como se fosse possível reativá-los. Porém, a dor, as marcas e os sons dispensados pelo látego, manuseados pelos verdugos em nome de uma verdade criada por poucos, parece ter o objetivo único de poder lhes servir.


Ecoou nas margens do Ipiranga, um brado retumbante, vindo de um povo nativo, heroico pela própria natureza, que se espraiou pelos campos, pelas florestas, matas, aldeias, pelos vilarejos, e cidades, de norte a sul, de leste a oeste, que ansiava pelo sol da Liberdade Igualdade e Fraternidade.


Teu brado ecoou como um raio vivido, cheio de amor e esperança, cruzando o teu céu risonho e límpido, mantendo acesa a imagem do Cruzeiro, brilhando sob o um brasil que se mantém erguido, de braços rígidos e fortes: és a imagem do gigante que a todos encanta, por seres belo, forte, destemido, mostrando que teu povo se espelha nesta grandeza.


Ecoa o marulhar das ondas que banham teu cocar, símbolo de sua altivez e grandeza e realeza. Raios de luz vindo do céu profundo iluminam teu berço de natureza esplêndida, ascendendo dentro de todos nós o orgulho de sermos Brasis. Somos um velho Brasil novo que teima em não se curvar, em não aceitar o cajado, porque quer andar alegre e risonho pelos teus lindos campos, que têm mais flores, ouvir o canto dos pássaros nos teus bosques cheios de vida.


Calar o eco do vagido de teus filhos com amor e o calor dos teus seios alimentando-o para ser um novo Brasil, e que teu amor eterno seja sua bandeira, sob um céu de estrelas que cobre o verde de tuas matas e florestas, trazendo na sua esteira de lembranças glórias do passado e a paz que desejamos para o futuro.


Ecoa no ar o som grave produzido pela clava forte da justiça, porque por mais que a tirania se faça presente, um filho teu não foge à luta; é um Brasil, tem o calor e a cor da brasa, oh, mãe gentil! Adoras o solo que pisas, porque nele semeaste o amor e a concórdia, o respeito a todas as etnias que te compõem.


Ecoa no ar o cântico de todos os povos, a alegria viva de tua natureza, onde nada, nem ninguém, conseguirá aplacar o belo que faz parte do teu povo, de tua natureza. Não proclamamos a Independência, e sim a volta ao nosso estado de direito, éramos livres, ninguém nos descobriu, nunca tivemos dono.


Ecos de Igualdade, Liberdade e Fraternidade vêm das matas, dos primeiros que aqui pisaram, dos ensinamentos que atravessaram os mares, e que foram absorvidos por outros povos. Somos Brasis, um mosaico de etnias, de diversidades. Não aceitamos mais novas descobertas, sejam elas políticas, religiosas, do fio da espada ou cheirando a pólvora, porque nossa vocação maior é o amor por ti, Pátria Amada. Não tememos a morte, tememos a vida sem liberdade e a esta resistiremos com todos os nossos ECOS.



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