• José Leonídio

Pílulas Literárias #17 - Quimeras

Certa ocasião, alguém disse que tudo eram "quimeras que se dissipariam como as nuvens".


Na minha quase adolescência fiquei olhando para o céu a procura dela: céu límpido, sol abrasador.


No fim daquela tarde, imensas nuvens negras cobriram-no. A ventania arrancava o zinco dos telhados que voavam com folhas de papel. Algum tempo depois, tudo cessou, e o céu ficou límpido, totalmente estrelado. Ficou em mim o conceito de quimera como da tempestade que surge do nada e se vai deixando para trás a destruição, porém uma noite fresca, com cheiro de terra molhada e o faiscar das estrelas.


Adulto, ouvi novamente a expressão que ficará gravada na minha mente e, por curiosidade, procurei a sua origem, e porque meu conceito ainda era o do dilúvio precedendo o frescor da noite.


Só após este mergulho arqueológico no significado da palavra é que tomei conhecimento que me deixei levar pela natureza, conduzindo-me para a visão grega do Deus com cabeça e corpo de leão, rabo de serpente e duas cabeças laterais, de dragão e de cabra.


Compreendi que "quimera" não passava de um delírio, um sonho. Entendi também que poderia ser nossa luta com a força do leão, a paciência da serpente pra dar seu bote, a energia do dragão, e a passividade da cabra.


Entendi que quimera no conceito usual é sinônimo de utopia, de delírio mesmo. Com o passar do tempo compreendi que sonhos não são quimeras que se desfazem como nuvens, porque a quimera grega que está dentro de nós poderá transformá-la em realidade.


Não tenham medo de suas QUIMERAS, depende de cada um transformá-la e concretizá-la.




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