• José Leonídio

OS OLHOS SÃO O ESPELHO DA ALMA



Dizem que os olhos são o espelho da alma. Um olhar diz tudo, se sim, se não, o quem sabe, o talvez. Uma paixão é exposta à luz dos olhos. A tristeza embaça o olhar. A luz que entrou em nossos olhos quando nascemos nos tirou da escuridão de nossa primeira morada, o útero materno. Vivemos por meses num mundo de sons e odores que nos mostram nossas origens.


O som do coração de nossas mães nos embala, sua voz é o nosso primeiro acalanto, seu aroma nos impregna e a reconhecemos ao nascer, por todos estes sentidos que estão presentes dentro de nós ainda enquanto embrião. A luz, que é a única percepção que não está presente no claustro materno, nos é apresentada quando esta se faz presente pela primeira vez, ao nascermos. A voz e o odor de nossa mãe fazem nossos olhos brilharem pela primeira vez e direcioná-lo em direção à origem da voz.


Deste momento em diante passamos a aprender a linguagem do olhar. Nada nos dá mais angústia que o olhar fixo do nosso filho recém-nascido. Não sabemos o que se passa dentro dele, o que pensa, o que quer. Na medida em que o tempo vai passando, e vamos crescendo, interagindo alma e olhar.


Começamos a falar sem usar a voz. O olhar de nossos pais nos mostra o que querem. Nosso sorriso acompanhado de um brilho no olhar denuncia, a quem está ao nosso redor, o momento alegre que vivemos.


Da mesma forma, o brilho no olhar, acompanhado de uma lágrima fugidia, nos remete à intensidade do sentimento que está dentro de nós. Aprendemos que o olhar da vida não é em preto e branco, ele é multicolorido; e cada um de nós colore o seu olhar com a cor que melhor agrada a retina. Aprendemos a enxergar o arco-íris e a nos encantar com seu degradê de cores. Aprendemos a sonhar com o pote de ouro na sua origem.


A cor das flores é encanto que interage com nossas almas e associamos aos nossos bons momentos, por exemplo. Em outras ocasiões a detestaremos porque nos remete a lembranças nada agradáveis.


E as pessoas que não enxergam desde o nascimento, não vão ao contrário de todas estas colocações? Eles não veem as cores, somente escuridão.


Nestas a luz dos olhos que a tudo enxergam passam aos outros sentidos e a sensibilidade que adquirem é o espelho de suas almas. Ou seja, a luz nem sempre precisa ser visível. Quando sonhamos, nossos olhos estão cerrados, porém, enxergamos a imagem que nossas almas querem nos mostrar, normalmente as cores, as cores que o espelho da alma registrou e quer nos evidenciar.


O tempo por vezes embaça o olhar, mas não tira o brilho da alma, ela continua a falar através do seu espelho, os nossos olhos.

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