• José Leonídio

O BRASIL NATIVO E AS DIÁSPORAS

Vozes são vozes, vogais e sílabas quando se juntam formam palavras. Nem todas as línguas seguem um determinismo formal. Podemos citar, por exemplo, o padre jesuíta José de Anchieta, parente próximo a Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus, que nasceu no Castelo de Loyola em Azepeitiã, na região basca no norte da Espanha.

Anchieta, ao relacionar a língua tupi com a gramática da língua portuguesa, chamou atenção que na oralidade da língua nativa, O Tupi, não havia os fonemas, F, L e R, ou seja, na sua interpretação religiosa faltava, nos nativos, “FÉ”, “LEI” e “REI”.

Os tempos se passaram e a influência religiosa na língua nativa não conseguiu modificar a forma de ser da nação que se construía. Da antiga Guanabara em direção à linha do Equador a língua Tupi predominou, mesmo sendo declarada a língua portuguesa como oficial na colônia por Dom José no século XVIII, porém, esta estava somente dentro das casas de origem lusa.

Em todas as aldeias, senzalas, vielas, e guetos, predominavam a língua nativa, mesclada principalmente as de matriz africana, além da portuguesa. No século XIX, a grande maioria da população se concentrava na capital do Reino, na capitania de São Paulo nas da Bahia e Pernambuco e em direção ao norte e era constituída principalmente de afrodescendentes escravizados que mantiveram a tradição oral da língua indígena.

Pouco a pouco esta foi sendo substituída na região mais ao sul por uma diáspora vinda principalmente da Europa e se adaptaram às regiões mais frias. O conflito entre o linguajar dos brasileiros, que foi construída por pelo menos quatro séculos neste mosaico originado de diversas etnias, ao das populações de origem europeia, criou uma divisão clara: da Região Sudeste até a Região Norte permanece a tradição oral dos Brasis.

No Sul, em muitos municípios a comunicação oral entre os núcleos que se identificam por suas origens e feita principalmente na dos seus países de origem, permanecendo esta tradição nas novas gerações. Vozes são vozes, palavras são palavras, porém, como se tivesse uma grande muralha cultural separando o Brasil do Sul e o Brasil que está acima, além da diferença do clima, temos uma diferença cultural, principalmente na comunicação oral.

A integração das diversas etnias ocorreu com a língua nativa onde a diáspora africana aconteceu, o mesmo não acontecendo com as de origem europeia, principalmente as anglo saxônicas.


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