• José Leonídio

O AMANHÃ E OS NOSSOS OBJETIVOS

O amanhã é a esperança de muitos. Não existe o amanhã mais esperado que o da passagem de um ano para o outro, onde depositamos toda a nossa confiança de que tudo vai mudar. Esta esperança, esta confiança, que sai de dentro de nós, além da fé que muitos propagam, é a energia positiva que criamos em torno de nós e que vem acompanhada do nosso sorriso, da vontade de cantar, dançar, às vezes mesmo de gritar, como se tivéssemos com nossa voz, nossa alegria, convidando o amanhã para que venha estar conosco e o receberemos com festa.


Na vida o amanhã chega no passar das horas, convencionalmente após a escuridão da noite; cabe ao sabiá acordar o sol, para que venha nos aquecer do frio das noites e ser nosso parceiro a iluminar nossos caminhos. Caminhamos pela manhã, gostamos de sentir a brisa tocar nosso rosto, deixar com que criemos nossas sombras que nos seguirão por todo o dia. Dela não nos separaremos até que a noite a apague e só restem sombras nos nossos caminhos.


A cada dia que se vai, acreditamos nas realizações, no amanhã que se seguirá.

Seguimos caminhos que acompanham a razão da natureza, com a nossa própria sombra nos seguindo durante o dia, e que, no entanto, à noite nos intimida, nos apavora, nos dá a sensação de estarmos sós.


Mesmo nossos sonhos, na maioria das vezes à noite, são quase sempre iluminados, porém, podem vir sob a forma de pesadelos em outras ocasiões, porque nossos sonhos são a representação do que vivemos, do nosso dia a dia.


Neles, não é raro que memórias remotas surjam, pois no nosso backup cerebral abrem-se os arquivos zipados e nos permitem relembrar ou reviver pessoas ou passagens das quais não mais nos lembrávamos.


Nas noites que precedem nossos amanhãs, nossa verdadeira idade, não a física, mas a mental, revela-se, porque nunca nos vemos em nossos sonhos com nossa idade cronológica. Se conseguirmos nos lembrar, perceberemos que neles (sonhos) estamos numa idade cronológica que corresponde há anos atrás, ou seja, na nossa verdadeira idade, aquela que nosso comando central (cérebro) nos atribui.


Situações que no ontem gostaríamos de esquecer, não são esquecidas por nossas memórias remotas e nos seguirão por toda nossa existência, elas permanecerão gravadas nos nossos chips.


Acredito que o amanhã possa de uma determinada maneira ser visto como nossos objetivos. Pois a cada dia temos um e programamos o do dia seguinte, da próxima semana, do mês, ano, e assim por diante.


Nossa caminhada é construída em cima dos nossos objetivos. Por mais distantes da realidade que possamos estar, sempre temos um que nos mostra que caminho devemos seguir naquele instante. Quando escolhemos andar só, na beira da praia, pela manhã, ouvindo somente o marulhar das ondas, mergulhamos para dentro de nós, arrumando nossos pensamentos, organizando nossos objetivos, riscando alguns, acrescentando outros.


Assim somos nós, quando nos isolamos e nos ausentamos de todos e dos encontros sociais, muitos dirão que é um momento depressivo, mas nem sempre este rótulo é verdadeiro. Existem situações nas precisamos esvaziar nossas gavetas, abrir espaços, para que possamos crescer, escrever nossas novas metas, novos objetivos.


Para isso, será necessário que deixemos para trás os maus momentos, as perdas para encarar o amanhã como um novo dia, no qual a vida pode reservar uma nova estrada, que esteja iluminada pelos raios de sol que projetam nossa sombra no amanhã da caminhada de cada um.


Somos o nosso amanhã, nossos objetivos, as nossas sombras. Ninguém viverá nosso amanhã, ninguém realizará seus objetivos a não ser nós mesmos, porque se acreditamos nele se tornam real, e só nós poderemos ser capazes de alcançá-los.



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