• José Leonídio

A LUZ QUE DEU À LUZ; QUE DÁ LUZ; QUE DARÁ DA LUZ.


Espelhos refletem a luz, refletem nossas imagens, multiplicando-as infinitamente. Mesmo sem querer sê-lo, somos espelhos. Refletimos a luz que invadiu nossos olhos quando respiramos pela primeira vez. Nossas imagens e nossos atos se perpetuam. As experiências que vivemos e transmitimos, seja oralmente, por escrito ou registradas em fotos ou vídeos, servem de caminhos a serem seguidos por muitos, mesmo que não saibamos. Somos espelhos de nós mesmos.


Quando terminamos de percorrer o menor caminho de nossas vidas e, com certeza, o mais perigoso de todos, somos presenteados com uma imagem, a primeira de bilhões, trilhões, enfim, tudo o que a nossa filmadora personificada grava enquanto vivemos. Esses registros nunca se perderão porque serão usados a cada momento para nortear nossas ações. Serão nossos espelhos escondidos que se refletirão nos nossos caminhos.


Ao nascermos, adquirimos o poder de enxergar através do raio de luz que adentra nossa retina. Saímos da escuridão no imo de nossa mãe e vemos clarear tudo à nossa volta. Assim aconteceu com nossa mãe, avó e desta mesma forma acontecerá com nossos filhos, netos e assim sucessivamente. A luz que deu à luz; que dá luz, que dará da luz, são os raios que se projetarão infinitamente nos espelhos das novas vidas.


Da mesma forma nossos caminhos também seguem a trilha da luz, aquela que nos permite enxergar tudo o que está ao nosso redor. Avenidas, ruas, estradas, picadas, cafundós, não importa: todos surgem à nossa frente e os atravessamos, com maior ou menor dificuldade. Suas paisagens são diversas, como também o são os momentos que vivemos.


O passo dado não permite que o refaçamos. Podemos até recuar, refazer nosso caminho, mas não será igual ao que demos anteriormente. A luz que o iluminava era proveniente de uma determinada posição do sol. Neste novo momento deslocou-se, seguiu sua trajetória e o que clareava há minutos virou sombra. Por sua vez, a sombra que estava à frente alumiou-se com seus raios.


Vivemos entre num caminho onde a luz e a sombra se alternam. Nossa sabedoria está em escolher o lugar certo no qual devemos estar. Se nos escondemos da luz, podemos passar a viver nas sombras. Nos palcos da vida, o jogo de luzes, sombras e penumbras compõem a beleza de seu espetáculo. O equilíbrio na sua composição é o que nos move pelos caminhos, que projetam nossa melhor imagem, nos espelhos de nossa existência. Quem somos nós, senão, atores que vivem a sua própria peça, escrita por nós mesmos, com os textos que escrevemos emoldurados pelos cenários pintados com as cores que escolhemos?


Estamos em um momento onde a peça que está sendo representada por todos nós se assemelham mais a um drama. O cenário é de penumbra, sombrio mesmo, falta a energia da luz que nos ilumina nas manhãs, sentimos a ausência da beleza do arrebol no fim da tarde. O calor dos abraços, a alegria dos sorrisos. Os dias vão se passando e mais parece a projeção dos espelhos, nada se altera.


Nossos olhares saem à procura de alguma saída, de um novo caminho, de um novo cenário que nos de a certeza de dias onde a luz volte a ser nossa companheira nas estradas da vida. Como diziam os antigos, não a mal que sempre dure, nem mal que sempre perdure. Todo caminho tem, início, meio e fim, e esperamos ansiosos por este novo horizonte.


Se cada um de nós respeitar a si mesmo, e aos que estão no seu entorno, estaremos fazendo nosso papel para que os raios de luz voltem a brilhar e a nos iluminar. O cheiro mofino, pela ausência da luz só deixará de existir quando abrirmos as janelas de nossas vidas para que o sol volte a entrar dentro delas.


O dia em que atravessarmos as soleiras de nossas casas, sem temor, sabendo que cumprimos nossa parte, nesse dia estaremos dando continuidade ao princípio de tudo: “a luz que deu à luz; que dá luz; que dará da luz. Voltaremos a ser os espelhos da eternidade.






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