• José Leonídio

A ETERNIDADE DA FÉ

Em um dos textos que publiquei recentemente, “O vento que não se vê”, dentre as colocações uma chamou atenção de alguns leitores. Transcrevo abaixo:


Dizem que nascemos com destino traçado, que um dossiê com tudo o que faremos na vida vem acoplado à nossa existência. Não acredito nessa hipótese. Somos o que somos, construímos nossa história através das experiências adquiridas que vêm desde a nossa concepção até a fase adulta, e é construída no dia a dia, baseada nos nossos erros e acertos.


Por diversas vezes chamei atenção de que nossa origem vem das savanas africanas, quando o homo sapiens pela primeira vez, usando sua capacidade de análise, atribui a um ser superior tudo que estava à sua volta e, principalmente, acima. Creio neste momento ter surgido o conceito da fé.


A ligação do ser humano com a existência de um ser supremo permitiu que o cultuássemos nos bons e maus momentos. A história nos mostra que este conceito se espalhou, na medida em que a diáspora do homo sapiens se fazia, e foi tomando a forma que lhe atribuíam.


Vários deuses e deusas foram surgindo e o conceito da fé foi se adaptando em cada região conquistada. A multiplicidade de divindades nos mostra as diversas interpretações da fé. Acreditavam inicialmente na grande deusa, o poder daquela que detinha o controle sobre o surgimento de novas gerações.


Posteriormente o surgimento do domínio masculino, com seus poderes que fizeram com que a grande mãe, a grande Deusa fosse esquecida. A fé era praticada para um gama de deuses e deusas de acordo com as características de cada região, mas quando analisamos as similaridades, vemos que na sua grande maioria mantinham uma relação com a origem primeva, as savanas africanas.


A fé é o caminho para os acertos, as conquistas, principalmente as mais difíceis. Quando nos isolamos e pedimos ajuda a um ser superior estamos praticando tudo aquilo que nossos ancestrais faziam e que nos ensinaram a fazer. A ausência da fé é o vazio, porque a fé e o motor que impulsiona nossas metas, nossos objetivos.


Como disse, há pouco a fé vem conosco, está dentro de nós incorporada ao nosso código genético porque foi ela que nos conduziu por estes milhares de anos. Existe uma diferença entre nosso modus vivendi e nossas crenças. A primeira é adquirida durante nossa existência, é cumulativa e norteia nossos caminhos. A segunda é nossa mola propulsora, sem ela nada somos.


A natureza sempre foi o grande exemplo, o cerne das religiões mais antigas, a energia geradora do conceito da fé. A adoração pelos fenômenos ligados à mesma sempre estiveram ligados ao ser superior. Se analisarmos o conceito da criação do mundo nas diversas religiões todas têm sempre um ponto em comum que nos mostram que todas foram baseadas num único conceito.


Todas as religiões, sejam politeístas ou deístas, alicerçam-se na prática de seus dogmas. Os diversos panteões trazem uma similaridade que nos remetem aos primeiros conceitos de nossos irmãos, filhos da mãe África, que tem seus conceitos baseados na visão dos seus antepassados.


Nosso aprendizado foi minha colocação quando afirmei que:


Somos o que somos, construímos nossa história através das experiências adquiridas.


Esta afirmação não se relaciona ao conceito da fé, porque esta é eterna e a praticamos independentemente de qualquer coisa. Minha religião ou minha crença é o sustentáculo da minha fé. Sem ela nada sou.



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